Freedom

(Source: happy2bsad)

"Apesar de você carregar um nome forte e marcante nas costas, você não faz jus a ele, Bárbara. Seu nome é lindo, assim como os seus olhos azuis e o batom roxo que você usa com aquela blusa verde de manga cumprida. O problema é que não tem ninguém pra borrar esse teu batom ou rasgar essa tua blusa. E não tem, porque você simplesmente não deixa ter. Quando eu me aproximo, você recua. Quando eu recuo, você se aproxima de forma agressiva como se o mundo girasse em torno da sua pele branca com cheiro de ameixa. Mas não gira, Bárbara. O seu mal é achar que sim. Você reclama que eu saio pra beber, mas acha fofo quando eu te mando mensagem melosa bêbado. Você odeia as minhas roupas, as minhas gírias e a minha forma de pensar, mas fala mal dos garotos certinhos que tem na sua faculdade. Vai entender. Aliás, não vai. Se tem uma coisa que você é péssima em fazer, essa coisa é ir. Não importa com quantos caras diferentes você saia em um mês ou quantos beijam bem em uma noite. Sou eu quem tenho a pegada e a marra que tu precisa pra curar seus medos. E você me odeia por saber disso. Não adianta negar, virar a cara ou ignorar minha chamada perdida. Você nunca vai embora, Bárbara. E eu gosto disso. Gosto de ver o seu orgulho sendo quebrado em pedacinhos minúsculos contra a sua vontade por minha causa. Gosto de ver você urrando, reclamando, xingando deus-e-o-mundo nos meus braços. Não faço questão que você me elogie desde que permaneça aqui, junto. Eu sei te domar e abaixar o teu ego gritante, mas isso te torna frágil e você se esconde. Se esconde atrás de umas poesias baratas e livros grifados, enquanto eu tomo umas cervejas geladas e acabo seis carteiras de cigarro em dois minutos. Você diz que eu tenho medo de amar. E eu tenho, sim. Eu tenho medo de te amar, Bárbara. Você me conhece de tanto, tanto, tanto, que até eu chego a me assustar com isso. O que você talvez não saiba, é que eu também te conheço tanto, tanto, tanto, que talvez a sua auto estima abalada nunca tenha se dado conta disso. Eu sei que a sua bebida preferida é suco de laranja, não vodka. E que você preferiria mil vezes ir pra balada de sandália havaiana do que usar um salto enorme a noite toda. Também sei que, apesar dos textos românticos, sua literatura favorita é a erótica. Suas amigas patricinhas não sabem disso, mas eu sei. E você nunca se deu conta do quanto saber doí. A sua personalidade me mata, mesmo te fazendo viver. Eu te olho canto de olho enquanto você escreve mais um desses seus textos sem pé nem cabeça e penso que, poxa vida, se algum dia eu conseguisse entender o que se passa na sua mente, ou melhor, no seu coração, eu poderia dormir tranquilo. Você, garota, me tira o sono. Com as suas entrelinhas indecifráveis e a sua mudança de humor constante, eu nunca sei o que fazer ou dizer ou sentir. Você é um campo minado, Bárbara. A diferença é que no seu jogo só tem bomba, e eu sou o apostador perdido que sempre morre na primeira jogada. Não importa o quanto eu tente ganhar ou empatar a partida: você sempre se sai vitoriosa e barbariza a minha vida. Acho que este deve ser o verdadeiro significado do seu nome. Vez ou outra, duvido até que você tenha coração. Você consegue ser mais fria do que todas as geleiras existentes nesse planeta. E eu continuo perdido, cego, procurando alguma luz vinda de qualquer direção que não seja a sua. Então eu saio, bebo, beijo algumas menininhas relevantes e volto pra casa. Daí eu sinto a sua falta e tudo começa a girar. Não importa quantas bocas encostem a minha, nenhuma delas é capaz de causar a turbulência que a sua no meu corpo. Eu me sinto um homem vazio longe de você e perto eu me sinto um menino cheio demais pra caber em mim mesmo. Mal sei me equilibrar na balança da minha própria vida, quanto mais equilibrar você e o seu peso de bagagem gigantesca. Eu só queria que você dissesse o que espera de mim, Bárbara. Não sei o que você quer quando me liga às três da manhã pra desabafar sobre um assunto qualquer, depois de ter me ignorado a semana inteira. Você chora por falta de amor, mas não deixa ninguém te amar. Você não me ensina a te amar. Às vezes eu penso que você queria ser salva desse mundo cinza que a sua alma insiste em morar.
O problema é que eu não sei ser o seu super-homem, Bárbara.
E o meu nome ainda é João."



"Apesar de você carregar um nome épico nas costas, você não faz jus a ele, João. O seu nome é lindo, assim como os seus lábios finos e a sua nuca branquinha. O seu mal é o que você é por dentro. Se não fosse esse teu jeito todo errado e desleixado, eu olharia pra sua cara e diria que você é um anjo. A verdade é que você é o demônio em pessoa, João. Nada nunca é bom o suficiente pra você. Ninguém nunca é digno do seu amor. Porque será que você infla o seu ego tanto assim, João? Você não é diferente dos outros. A sua rotina não é agitada todos os dias da semana. O seu tipo físico não é de nenhum deus-grego-dos-céus. Você arqueia essa sua sobrancelha com pelos falhos e cruza os braços fazendo essa pose de durão, mas de durão você não tem nada. Admite que vez ou outra a sua vontade era de trocar a cerveja com os amigos por um milk shake com alguém especial, vai. Admite que além da bunda e dos peitos, você também repara no sorriso e nos pés. Pode parecer meio absurdo, mas eu sei que você é encantando por pés. E sei também que a sua bebida preferida nunca foi Whisky, mas sim Guaraná. Os seus coleguinhas-babacas-de-balada não sabem disso, mas eu sei. Deve ser assustador pra você ter alguém que te conhece tanto quanto eu. Tudo bem, eu entendo a sua raiva e a sua ironia desafiadora. O que eu não entendo é porque você continua fumando cigarro, mesmo odiando a fumaça que gruda na sua pele. Eu não entendo porque você sente a necessidade de beijar oito bocas diferentes a cada cinco minutos pra se sentir melhor. E também não entendo a graça que você vê naqueles programas estúpidos de automóveis. Eu não te entendo, João, mas juro que me esforço ao máximo pra te aceitar. Você carrega um fardo de defeitos insuportáveis e uma lábia com gírias indecifráveis, mas o desgraçado do seu perfume tem um aroma bom. O seu ar superior e a sua confiança em si mesmo me dá náuseas, mas a droga dos seus braços tem a facilidade de me passar uma segurança que eu não sou capaz de encontrar em nenhum outro lugar do planeta. Talvez o que eu venha a dizer agora te deixe intrigado, porque no fundo você sabe que é verdade: você não passa de um fraco, João. Por mais que os seus músculos saltem do seu corpo e você consiga levantar três elefantes seguidos, você ainda continua sendo um fraco. Estúpido. Babaca. Covarde. E mais outros milhões de adjetivos chulos. Porque você pode fazer mil mulheres caírem de amores aos seus pés, mas tem medo de se prender à apenas uma. Se te perguntarem o significado da palavra “curtição”, certamente você saberá responder. Mas e o amor, João? O que é amor pra você? Acho que agora eu te encurralei em um beco sem saída. Por detrás de toda essa sua estrutura de homem-inabalável, existe um menino que tem medo de amar. Eu sei disso também. O problema é que o seu orgulho te consome da cabeça aos pés e você não é capaz de dar o braço a torcer. A sua aparente falta de sensibilidade me irrita. Ninguém suporta conviver no mesmo ambiente que o seu por três dias, mas olhe só pra mim! Eu estou do seu lado a quase três anos. E você não dá valor a isso. Aliás, você não dá valor a nada, João. Isso também me irrita. Você não permite que ninguém descubra o que se esconde além dessa nuvem cinzenta que te cerca, porque no fundo você tem medo da solidão. Você tem medo de se entregar em um jogo no qual não é você quem dá as cartas, tampouco é o dono da partida. Você tem medo de que alguém goste de você apesar de todos os pesares. E eu gosto. Eu gosto da sua tatuagem tribal ridícula no ante-braço, da sua barba mal feita e da unha encravada do seu dedão do pé. Você não merece, eu sei, mas isso não é motivo o suficiente pra me fazer desgostar. Mesmo que você xingue a sua mãe, seja mal educado com o seu vizinho e se sinta bem em ser um completo filho-da-puta, ainda assim eu gosto de você. Na medida do impossível, tudo o que eu mais queria era atravessar pro seu lado do precipício e fazer com que a gente desse certo.
O problema é que eu não sei ser a sua Maria, João.
E o meu nome ainda é Bárbara."



(Source: m-melodia)

(Source: nuances-e-cores)

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